O Homem é uma animal social, ou seja somos um animal de hábitos, juntos em sociedade e partilhamos uma forma comum de vida (uma cultura), que nos regula a existência coletiva e nos proporciona métodos para nos adaptarmos ao mundo que nos rodeia e exercer algum controlo e manipular, até certo ponto, as forças da natureza.
Vivemos hoje, uma realidade completamente diferente de todas as até agora conhecidas, para nós, para a nossa geração, e para as gerações vivas que nos antecederam. O mais semelhante, terá sido a gripe espanhola em 1918.
No contexto específico, esta pandemia, a única maneira de se sair desta situação com relativo sucesso depende unicamente de uma consciencialização de todos nós.
As pessoas mais afetadas por esta pandemia - os idosos, que serão os que mais tempo ficaram em isolamento, (dado fazerem parte do maior grupo de risco), temos de admitir que poderão estar perante uma séria dificuldade, pois da mesma maneira que uma criança não consegue sobreviver sozinha, (pois é através da socialização que ao crescerem, se tornam indivíduos auto conscientes e independentes), os idosos, modelados pelas memórias incutidas pela socialização primária, através das quais, sentem uma grande influência da vida emotiva, - pois identificam quem deles cuidam e das atitudes que estes têm para consigo -, viram-se privados dos seus ente-queridos e dos seus afetos.
Os idosos, sentiram na pele, já foram filhos, pais e certamente serão avós agora, este momento de isolamento e distanciamento fisico, o papel dos meios de comunicação, pois são o mais próximo de contato humano que terão nesta fase, influenciando ainda mais os seus medos e angústias, e trazendo algum conforto e saudade nas cenas representadas nas novelas que eventualmente lhes farão companhia nestes dias.
No entanto, estas pessoas, habituadas às suas rotinas diárias de convívio social, podem sentir as consequências desta interrupção abruta da interação social, que caminha lado a lado com os vários processos de socialização, podendo vir a desencadear nos idosos, quadros de ansiedade e depressão, que por sua vez poderão levar mesmo a alguns comportamentos desviantes. Em Portugal, cerca de um terço dos adultos mais velhos não vivem com ninguém, e passam oito ou mais horas sozinhos.
Apesar da maior parte se encontrar conformada com as normas de isolamento e distanciamento impostas, tornou-se necessário tomar medidas para preservar a saúde dos mesmos, através de um sistema de controlo social que pode ser direto, onde se manifesta o sentimento de culpa e o embaraço por parte de quem viola a norma.ou indireto , onde o desejo de não se perder a estima e os afetos em geral com os outros está presente;
O controlo social também é feito através do policiamento constante que vemos nas ruas para desencorajar o incumprimento das regras.
Neste contexto, podemos fazer a ligação do modelo de Parsons ao isolamento involuntário dos idosos e ao seu afastamento da sociedade, para que agora e a conta-gotas seja possível a reintrodução dos mesmos, sem o risco de ficarem severamente doentes e até morrerem.
O controlo social também é feito através do policiamento constante que vemos nas ruas para desencorajar o incumprimento das regras.
Neste contexto, podemos fazer a ligação do modelo de Parsons ao isolamento involuntário dos idosos e ao seu afastamento da sociedade, para que agora e a conta-gotas seja possível a reintrodução dos mesmos, sem o risco de ficarem severamente doentes e até morrerem.
No entanto, tal como referido anteriormente, a interrupção abruta da interação social dos idosos, tem levado a vários comportamentos desviantes, não aliados à criminalidade, mas tais como o não respeitarem as normas impostas e, muitas vezes derivado da ansiedade e depressão, a doença mental e até o suicídio.
É preciso ter em conta que os mais velhos, sempre foram figuras de grande respeito na maioria das culturas, uma espécie de escalão máximo dentro da sociedade. Esta é uma das razões pelas quais se torna ainda mais difícil, acatarem novas ordens impostas por outros. Ainda para mais, na nossa sociedade atual, grande parte dos idosos tem uma vida bastante ativa e social, havendo até lugar a um certo processo de ressocialização, ao permitirmos aos séniores da nossa sociedade, voltarem a estudar, integrarem-se em vários projetos e grupos, oferecendo-lhes, a possibilidade de se sentirem novamente parte integrante da sociedade. E tudo isto foi-lhes retirado de um momento para o outro, tornando assim gritante, a solidão em que muitos já estavam inseridos, mas alheios a tal realidade, perante as rotinas que para si estabeleceram, e para outros tantos, um choque profundo com uma realidade dolorosa, e para muitos irreversível. Infelizmente, de acordo com um estudo da Universidade de Chicago, o isolamento pode aumentar o risco de morte em 14% nos idosos, logo, pediram aos mais velhos que se isolem e se distanciem socialmente, estamos perante um quadro ambíguo, pois de acordo com esta pesquisa, o isolamento e a solidão são capazes de gerar no organismo uma reação de grande stress que acaba por induzir respostas inflamatórias que reduzem a produção dos leucócitos, responsáveis por defender o organismo de infeções, ou seja, ao mesmo tempo que os mais responsáveis tentaram proteger os idosos, do contato com portadores da COVID-19 estamos a contribuir para reduzir a sua resposta imunológica ao colocá-los sobre grandes níveis de stress diariamente.
Assim, devemos concluir que irá o isolamento involuntário dos nossos idosos, ter repercussões graves na sua capacidade de se reintegrarem na sociedade? Todo e qualquer isolamento, terá sempre efeitos nos indivíduos implicados, e é verdade que isolar fisicamente os idosos reduz a transmissão do vírus, mas, não nos devemos esquecer que podemos estar a iniciar uma nova, a da morbilidade psicológica associada à COVID-19.
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